Por que não alertar sobre o cheque especial como se faz com o cigarro?

Escola de Negócios

O Conselho Monetário Nacional (CMN), com apoio do Banco Central, limitou a taxa de juros do cheque especial a 8% ao mês. Independentemente da coerência de uma proposta dessa natureza por uma equipe econômica liberal, há que se discutir suas razões. Por que impor um teto de juros para o cheque especial?

O cheque especial é opção de crédito a que recorrem os mais pobres e os menos escolarizados, de acordo com estudo especial do BC. E mais do que um empréstimo emergencial, de fato, é utilizado rotineiramente. Quase 20% dos usuários dessa linha recorreram ao recurso em todos os meses de 2018. Ao mesmo tempo que metade se endividou em mais de seis meses.

“A necessidade premente de recursos para fazer frente às despesas do dia a dia, aliada à falta de conhecimento para administrar uma linha de crédito disponível sem burocracia, de forma automática, cria, para muitos, uma quase dependência”, escreve Hudson Bessa, sócio da HB Escola de Negócios, em artigo no Valor Investe.

Diante desse quadro, para Hudson Bessa, o uso consciente do recurso requer mais do que o estabelecimento de um teto de juros para o cheque especial. Aliás, vale ressaltar, que 8% ao mês ainda constitui uma taxa elevada. O professor dá como exemplo as campanhas antifumo. Bem como no caso do tabagismo, defende que as instituições financeiras alertem os clientes sobre os riscos desse produto. Educação financeira, mais uma vez, é o caminho para um mercado mais transparente e equilibrado.

 

>> A importância do suitability

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