Pesquisa da PwC com CEOs: nuvens pesadas à frente

Escola de Negócios

Pesquisa anual divulgada pela consultoria PwC em Davos traz um retrato das perspectivas dos CEOs para o ano de 2020. Entre os mais de 1.500 entrevistados, em 88 países, reina um clima de pessimismo com o futuro da economia.

Observando a série é possível perceber que algo mudou no reino das expectativas. Em 2016 e 2017, o otimismo atingia o nível médio de 28%. Naqueles anos, 50% dos respondentes esperavam que os próximos 12 meses fossem pelo menos igual ao que viviam.

Em 2018 o quadro mudou, digamos, para o bem. Para 57% havia esperança de um ano melhor e apenas 5% acreditavam que teríamos um ano pior. Cenário à frente benigno e que, a princípio, inspirava confiança para colocar um plano de investimentos mais ousado na rua.

De 2019 em diante, assistimos a um certo azedume. Nos últimos dois anos (2019-2020), o otimismo com as condições gerais da economia refluiu acentuadamente de forma que apenas 22% dos entrevistados acreditavam em um ano de 2020 alvissareiro. Pela primeira vez na série, mais de 50% dos CEOs esperam que o ano à frente seja pior. Cenário complicado para a economia global, afinal se há nuvens no horizonte (pelo menos é o que se espera), a propensão ao risco tende a cair.

Por que tanto pessimismo?

As fontes para este pessimismo são:
• Incerteza: existe a percepção de que para qualquer lugar em que se direcione o olhar há uma fonte de incerteza. Notadamente, foram apontados os conflitos geopolíticos, guerra comercial e cyber ameaças.
• Internet e a quarta revolução industrial: negócios baseados em plataformas, novos entrantes, questões de segurança, privacidade e tantos outros pontos em aberto causam ou amplificam a sensação de insegurança

• Qualificação das pessoas: não é mais possível falar em mão de obra. É uma economia de cérebros e criatividade. A qualificação e a capacidade de inovação é atributo crucial para se manter competitivo. Encontrar, motivar e reter talentos é um desafio.

• Mudança climática: as ameaças advindas e seus custos são mais um fator a gerar apreensão.

Em suma, um mundo repleto de incertezas embalado por taxas de crescimento econômico anêmicas na maioria dos países desenvolvidos e declinantes entre as economias emergentes não avalizam otimismo.

E no Brasil? O que esperam os CEOs?

O clima de pessimismo também foi registrado entre os 64 CEOs brasileiros ouvidos pela PwC. Segundo a 16ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros, recorte da 23ª Pesquisa Anual Global de CEOs, 45% dos líderes executivos no país acreditam que haverá desaceleração do ritmo do crescimento do PIB global nos próximos 12 meses. Assim como no levantamento global, ocorreu uma inversão de perspectivas otimistas captadas no estudo para 2018.

“O otimismo é maior, no entanto, quando se considera o horizonte de três anos, mas os níveis de confiança ainda são os mais baixos no Brasil desde 2014 – início de um período prolongado de recessão. No mundo é o menor desde 2009, auge da crise financeira global”, afirma a pesquisa.

As expectativas dos CEOs e o mercado financeiro

Nesta época do ano, é comum a divulgação de pesquisas e comentários sobre as expectativas para a economia. Aqui no Blog da HB mesmo escrevemos recentemente sobre o que os analistas de bancos e corretoras esperam para 2020, segundo o Boletim Focus. Mas por que levantamentos como este da PwC e o Boletim Focus, que é semanal, são relevantes?

Certamente, você já leu ou ouviu a expressão “humor do mercado”. Acompanhar como estão as expectativas dos diferentes agentes da economia ajuda a entender esse tal “humor” e refletir sobre suas consequências. Por exemplo, se presidentes e CEOs de empresas estão pessimistas, serão mais cautelosos em relação a investimentos na expansão dos negócios? As pesquisas também mostram como essas expectativas podem mudar profundamente em um período curto. Em dois anos, o levantamento da PwC foi de um cenário de otimismo recorde para um pessimismo recorde. Portanto, assim como o tempo fechou de uma hora para outra, as nuvens pesadas podem se dissipar?

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