Bolsa despenca com pandemia do coronavírus. E agora?

Escola de Negócios

Além do temor já naturalmente provocado por uma pandemia, investidores e profissionais do mercado financeiro vivem dias de grande tensão por causa do coronavírus. Acompanham o sobe-e-desce – mais desce do que sobe – das cotações atônitos, por causa de notícias sobre a doença se espalhando pelo mundo. O circuit breaker já foi acionado quatro vezes na semana na B3, sendo duas vezes nesta quinta-feira (12).

O mecanismo que interrompe as negociações na Bolsa de Valores ocorre quando o Ibovespa ultrapassa 10% de queda. As negociações pararam por 30 minutos na segunda-feira (9) e na quarta-feira (11). Não foi necessário, nos dois casos, um novo acionamento – que se dá quando a queda chega a 15%. Porém, nesta quarta-feira (12), a segunda parada, de uma hora, foi necessária. Em meio às incertezas, as questões que sempre pairam quando se fala de ações são repetidas mais e mais vezes: “é para vender? É para comprar? Vai cair mais?”

Neste momento de grande turbulência, o melhor é relembrar as crenças que levaram a determinado investimento. “Não se deve comprar Bolsa porque está bombando ou porque estão todos comprando. Há que saber se seu horizonte de tempo é adequado, sua aversão ao risco suporta e suas necessidades de liquidez são compatíveis”, escreve Hudson Bessa, sócio da HB Escola de Investimentos em artigo no Valor Investe.

2020 já não se mostrava um ano muito fácil para previsões, como escrevemos por aqui. Foi iniciado com o ataque americano que matou o general iraniano Qassim Suleimani no Iraque. Em seguida, as ameaças de lado a lado, que elevaram os preços do petróleo. A tensão acabou sendo apaziguada, deixando uma perda de somente 1,9% na Bolsa em janeiro.

A pandemia de coronavírus angustia investidores

Tudo parecia voltar aos eixos, quando, inesperadamente, surge a pandemia do coronavírus no cenário. “A desaceleração econômica é global, mas, para piorar, o Brasil tem seu dia a dia. A falta de articulação política, as prioridades não muito claras em relação às reformas econômicas e o acirramento do clima de confronto entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário provocaram mais ruído”, escreve Hudson Bessa.

Ao ver a Bolsa despencar, muitos investidores podem ficar propensos a tirar seus recursos de lá. Entretanto, há que se ter em mente que o mercado de ações é de risco. Portanto, deve ser incluído em estratégias de longo prazo. “Caso tenha colocado recursos de curto prazo em ações, já tomou uma decisão errada na partida. Se precisar de liquidez, realize o prejuízo e vida que segue. Neste caso, a verdade é que não há alternativa”, diz Hudson Bessa.

Para aqueles que não têm necessidades financeiras de curto prazo, a hora é de calma. Isto é, é de manter-se firme às crenças que levaram à decisão de investir na Bolsa. “Se a crença permanece, o que estamos passando é como um vírus: causa desconforto, mas passa, e a vida continua”, afirma Hudson Bessa.

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