Como fazer um bom processo de investimento

Escola de Negócios

Quando vamos tomar uma decisão, nosso cérebro segue, de forma genérica, um procedimento. Resumidamente, ele começa com o surgimento da necessidade. Ou seja, a detecção do problema. Em seguida, colhemos informações sobre a questão, analisamos e comparamos as opções. Finalmente, tomamos uma decisão.

Neste processo, na fase de recolher informações, é comum que ocorra uma seleção inconsciente e somente os dados que confirmam nossa tese inicial, que conduzam ao resultado desejado, sejam consideradas “boas”. Tudo aquilo que está em oposição, que se contrapõe ao que acreditamos ser o “certo”, é descartado ou considerado fraco para suportar uma argumentação.

A aplicação desses conceitos sobre o processo decisório na área de investimentos é abordado nos estudos de finanças comportamentais. Nas decisões de investimentos, as informações que colhemos são, obviamente, objetivas: dados das empresas, crenças e expectativas que temos sobre o futuro delas e sobre o cenário setorial e da economia como um todo. A questão é que elas são analisadas pelas lentes subjetivas do que acreditamos. O excesso de confiança (overconfidence) e o viés de confirmação (confirmation bias) fazem parte do comportamento do investidor.

Já falamos sobre o excesso de confiança, que se caracteriza pela percepção de que somos melhores do que os outros, do que a média. O viés de confirmação se refere ao nosso comportamento seletivo na hora de escolher quais informações vamos considerar úteis, confiáveis, apropriadas e assim por diante, no momento da tomada de decisão.

“Erro comum produzido pelo viés de confirmação é a concentração excessiva dos recursos em alguns poucos ativos que pré-julgamos como ótimos, aquelas barbadas. Relacionado a este, a diversificação ineficiente entre as classes de ativos também pode causar perdas às carteiras de investimentos”, escreve Hudson Bessa em sua coluna no Valor Investe.

Como fugir do viés de confirmação ou amenizá-los no processo de investimento

Um bom processo de investimento deve ter regras claras e formalizadas. Deve ser feito em comitê composto por pessoas com diferentes visões, privilegiando a liberdade para que todos possam expressar suas opiniões. Deve buscar informações contraditórias a todo tempo e desafiar a ideia dominante até que se esgotem todos os argumentos a seu favor.

“Contar com uma estrutura profissional que lhe provenha este serviço é a melhor alternativa. Mas se você preferir tentar por conta própria, siga estes passos. Caso não possa, melhor evitar ativos de maior risco, sob pena de perder dinheiro”, orienta Hudson Bessa.

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