O que pode explicar a migração de recursos para a renda fixa em 2022?

Escola de Negócios

Coluna do Valor Investe

No artigo do Valor Investe desta semana discuto a migração de recursos de ativos de risco para os de renda fixa.
Três fatores podem ajudar entender este quebra-cabeça, o aumento do custo de oportunidade, cuja referência é a taxa Selic, a ampla disseminação de informações e os serviços de assessoria de investimento.

A seguir um fragmento.

Não é possível cravar a razão desta sangria, mas a comparação com o saldo dos ativos de renda fixa ao final de novembro indica que boa parte dos recursos pode ter migrado para estes títulos que pagam taxas de juros. Nesta data, o estoque atingia cerca de R$ 10 trilhões, um crescimento de 14%, acima dos 11% acumulados pelo CDI no período. Ou seja, esta diferença de 3% corresponde a cerca de R$ 240 bilhões que podem, em parte, ter migrado dos fundos.

Arrisco três fatores que podem ajudar a entender este quebra-cabeças que é a captação de recursos entre os diferentes ativos financeiros da economia, sem considerar aqui os ativos reais.

O primeiro fator é o custo de oportunidade representado pela taxa Selic.

A taxa Selic é conhecida também por ser a taxa básica de juros da economia, o que deve ser entendido como aquela a partir da qual todas as demais taxas de juros são formadas. Ela é uma taxa paga pelo Tesouro Nacional para quem compra um título público pelo prazo de apenas um dia.

Não por outro motivo, empresas e bancos costumam oferecer taxas de juros mais atrativas para conseguir captar recursos, afinal eles precisam recompensar os investidores pelo risco de crédito (o governo federal é considerado “sem” risco de crédito) e pelo prazo mais dilatado com que permanecerão com os recursos.

Desde março de 2021 o Banco Central do Brasil promoveu doze aumentos da taxa Selic, a elevando de 2% a.a. para os atuais 13,75%, uma elevação de 11,75 pontos percentuais ou de quase 7 vezes.

Nos últimos doze meses até novembro a Selic bate todos os outros índices de mercado, acumulando 12,05% contra 10,37% do Ibovespa, 9,76% do IMA-Geral e
-5,80% do dólar. Este desempenho é ainda melhor quando se considera que a rentabilidade maior ainda vem acompanhada da menor volatilidade, ou variação das taxas ao longo do período. Ou seja, maior ganho com maior previsibilidade.

Voltando ao custo de oportunidade, ele pode ser definido como o “valor que eu perco, ou abro mão, caso escolha um investimento em detrimento de um outro”. No Brasil a Selic pela sua característica de baixíssimo risco para um retorno “certo” é o custo de oportunidade mais óbvio da economia. Resumindo, quem escolheu qualquer outra classe de ativos renunciou ao tentador binômio do ativo com maior retorno e menor risco do mercado. Não faz sentido.

Um feliz e próspero 2023 para todos!!!!

Deixe uma resposta

× Contato via Whatsapp