Ômicron acrescenta mais alguns decibéis ao ruído do mercado

Escola de Negócios

Coluna do Valor Investe

No artigo da semana do Valor Investe falo sobre o clima de iminente fim de festa que ronda as economias e como a ômicron torna o ambiente ainda mais volátil.
Segue um extrato do artigo.

A ômicron veio se juntar ao aumento de casos na Europa, principalmente, e disparou o gatilho do medo, recuperou da memória imagens que já tínhamos guardado em arquivos mais profundos e impulsionou reações fortes em busca de proteção e redução de perdas potenciais. As expectativas falam mais alto nessas horas.
No mercado financeiro a nova variante reforçou um sentimento de aversão a risco que vem rondando o mundo há meses e disparou um movimento imediato de venda de ativos de risco e consequente busca por proteção, principalmente, por meio da compra de título do Tesouro americano.
Eventos de reação exageradas (overreaction) às novas informações são comuns no mercado financeiro, em especial em períodos conturbados, quando os investidores estão diante de possibilidades reais de encarar perdas. Para lembrar um dito popular, este é um momento do tipo “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.
O cenário econômico global é, para ser complacente, desafiador.
A abrupta e longa paralisação, necessária, ao combate da COVID, conjugada à bem-sucedida reação dos países, criou alguns problemas. A paralisação causou um desarranjo nas cadeias produtivas globais, criou gargalos no sistema de produção, restringiu a oferta e deu margem ao surgimento de uma inflação provocada pela oferta.

Por outro lado, estímulos fiscais buscaram amenizar desemprego e perda de remuneração por meio de programas de transferência de renda enquanto impediam o debacle da demanda criavam mais pressão sobre os preços em um mercado com restrição de oferta de bens e serviços.
Como resultado a inflação nos EUA já alcança mais de 6% enquanto na Zona do Euro os índices estão acima de 3%. A inflação que de início era vista como um fenômeno transitório e que seria resolvido “por si só”, hoje preocupa os principais Bancos Centrais.
Hoje o mercado parece estar vivendo um clima de iminente fim de festa. Todos sabem que ela está acabando, mas ninguém quer sair até acabar o último gole de cerveja. O problema é que muitos sabem que a porta de saída é apertada, ou seja, ao menor sinal de que a luz será apagada melhor correr para ela.

O ambiente atual é propício, e muito, para a volatilidade. Notícias corriqueiras podem ganhar interpretações variadas e reações, positivas ou negativas, intensas. Nada que não possa mudar no dia seguinte, ou até no mesmo dia. Basta uma informação nova ou simplesmente a não confirmação dela ou de suas ilações.
A depender das novas informações sobre a ômicron, podemos aguardar ainda mais volatilidade.

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