O 1% ao mês voltou, mas isto não é motivo para alegria

Escola de Negócios

Coluna do Valor Investe

 

No artigo do Valor Investe desta semana escrevo sobre a ilusão monetária dos juros nominais. O 1% ao mês voltou, mas não se iluda.

Nas últimas semanas tenho percebido nas conversas alguns comentários, sobre a renda fixa, do tipo “como os investimentos estão pagando bem”. Para este investidor vale o aviso: não se iluda.

A inflação brasileira sempre foi alimentada, entre outros, por dois componentes poderosos, mas que passam meio desapercebidos do grande público, quais sejam: o desequilíbrio fiscal e a inércia.

Sobre gastos públicos, após os gastos para combater os efeitos da COVID na economia e na sociedade, o Governo parece que tomou gosto e não tem feito muito esforço para manter a disciplina fiscal. Aliás, quanto mais se aproxima a eleição, maiores as pressões para arrombar o cofre.

É neste ambiente hostil que o Banco Central vem operando a política monetária e tentando baixar a fervura. Já foram dez elevações da taxa Selic nos últimos quinze meses, fazendo a taxa subir de 2% a.a. e atingir 12,75%.

Este novo patamar de taxa de juros despertou do sono aquele investidor, nosso velho conhecido, viciado no 1% de juros ao mês.

Para este ano a inflação até maio, medida pelo IPCA 15, já atinge 4,59% e em 12 meses acumula 12,20%. Ou seja, este ano já está perdido em relação a meta de inflação.

Nos últimos 12 meses os dois Tipos de fundos de renda fixa mais populares acompanhados pela ANBIMA, o Renda Fixa Baixa Duração Soberano (RFBDS)e o Renda Fixa Baixa Duração Grau de Investimento (RFBDGI), cujo patrimônio líquido somado alcança cerca de R$ 1,2 trilhão, acumulam rentabilidade real negativa, descontada a inflação, de 4,44% e 3,26%, RFBDS e RFBDGI, respectivamente.

O leitor pode estar pensando que a permanecer como está, as perdas vão zerar. Primeiro, se for descontado o imposto de renda, você provavelmente continuará perdendo. Segundo, é bom se perguntar: de onde virá o ganho acima da inflação que fará meus investimentos de longo prazo crescerem?

A alternativa é buscar os investimentos de risco. Contudo, o desarranjo causado pelo improviso fiscal do Governo e pela própria inflação impuseram aos gestores de ativos de risco perdas generalizadas. Praticamente todos os segmentos de Multimercados e Ações acompanhados pela ANBIMA perdem da inflação em 12 meses. A inflação e o improviso fiscal azedaram o ambiente, turvaram as águas e deixaram o mercado sem direção.

Não se engane, para se obter ganhos reais de longo prazo é preciso correr riscos. O 1% ao mês sem risco não lhe torna mais rico, pelo contrário, ele não deixa prosperar os investimentos de risco que poderiam, justamente, gerar ganhos reais para seu capital no futuro, por exemplo, para sua aposentadoria.

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