Falta de compromisso do Governo com as metas fiscais está no centro do processo inflacionário de 2022

Escola de Negócios

A inflação em 2021 bateu 10,06% o maior nível desde 2015 quando atingiu 10,67%…
Olhando os números por dentro, o IBGE nos mostra que 79% da inflação está concentrado nos itens transporte, habitação e alimentos e bebidas. Justamente itens que pesam mais para as famílias de menor renda.

Para a composição dos 10,06% acumulados em 2021, o item transporte contribuiu com 4,19 p.p., a habitação acrescentou 2,05% p.p. e alimentos e bebidas outros 1,68 p.p.

Estes três itens (transporte, habitação e alimentação) são os mais difíceis de administrar. Sair par trabalhar, morar e se alimentar são despesas que muitas vezes não podemos adiar, reduzir ou substituir os produtos por outros mais baratos.
Em sua carta o Ministro da Economia, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, justificou o desvio de 4,81 p.p em relação ao topo da meta, de 5,25%, como sendo resultado de: “forte elevação dos preços de bens transacionáveis em moeda local, em especial os preços de commodities; bandeira de energia elétrica de escassez hídrica; e desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos, e gargalos nas cadeias produtivas globais.”

Sobre bandeira energética e gargalos das cadeias produtivas globais, não há o que falar. Já o primeiro item, “forte elevação dos preços de bens transacionáveis em moeda local” é uma frase que conta apenas parte da história do aumento dos preços.
A própria carta em seu item 9 indica que: “A tendência de depreciação na segunda metade de 2021 refletiu principalmente questionamentos em relação ao futuro do arcabouço fiscal vigente e o aumento dos prêmios de risco associados aos ativos brasileiros, diante da maior incerteza em torno da trajetória futura do endividamento soberano”.

Em resumo, considerando que os preços dos bens internacionais cotados em Real se elevaram também por conta da desvalorização de nossa moeda e que a inflação recrudesceu no segundo semestre, é fácil de se notar que a falta de compromisso com as metas fiscais e a inoperância do Governo estão no centro do processo inflacionário de 2022.

A inflação é altamente concentradora de renda. Ela penaliza as famílias de renda mais baixa que não conseguem se defender da depreciação da moeda. Para uma família que ganha R$ 400, uma perda de 10% é como cortar seu consumo em R$ 40.
Olhar a inflação apenas como um fenômeno monetário ou um desarranjo do sistema produtivo é enxergar somente parte da foto. O quadro completo em meio a Covid é desolador. A inflação se junta ao desemprego e a errática política social do Governo e causa um verdadeiro cenário de caos social.

Vale lembrar que quase metade dos brasileiros receberam algum auxílio de renda entre 2020 e 2021.

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