Ao desqualificar opiniões diferentes, Ministro da Economia dificulta a tarefa do Banco Central

Escola de Negócios

Coluna do Valor Investe

No artigo do Valor Investe esta semana enfoco o comportamento típico de falácia do planejamento que acomete nosso Ministro da Economia. Segue um fragmento.

Há semanas o Ministro vem criticando acidamente economistas de mercado, acusando-os de pessimistas, de “jogar contra o país”, de produzirem fake news econômicas e na semana passada, em um arroubo típico de universitários de esquerda, mandou o FMI “passear”. Nas palavras do Ministro, em encontro público com empresários em São Paulo, “dissemos para eles fazerem previsões em outro lugar”.

O estopim de sua ira parece ter sido as declarações do ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn sobre os danos provocados pelas incertezas fiscais à economia e os sacrifícios necessários para que o país retorne à trilha de crescimento econômico e inflação dentro da meta.
Como o ex-presidente do BC está assumindo um assento no FMI, nosso Ministro ergueu o seguinte raciocínio: “já que tem um brasileiro que critica o Brasil indo para o FMI, ele não precisa mais ficar aqui.”

Ao brigar com as expectativas do mercado e tentar desacreditar economistas e analistas, o Ministro veste o personagem Dom Quixote ao qual me referi algumas semanas atrás (https://lnkd.in/dt3-XHCv).
As expectativas são preciosas para a condução da política econômica e imprescindíveis para o sucesso do regime de metas de inflação.
O termo falácia do planejamento foi cunhado por Daniel Kahneman e Amos Tversky para descrever planos irrealistas, cujos formuladores costumam superestimar suas habilidades, subestimar os problemas e supervalorizar suas crenças.
Em geral as pessoas à frente destes projetos ouvem pouco os que estão de fora, ignoram as informações desagradáveis e buscam se cercar de profissionais que comunguem das mesmas certezas.

 

Governo precisa apresentar propostas críveis para retomar o equilíbrio fiscal e reativar a economia. Enquanto isto, a política monetária continuará pressionada e as taxas de juros permanecerão elevadas.
Em meio a esta barafunda, brigar com o mercado e tentar desqualificar quem pensa de forma diferente não melhora as chances de sucesso do processo de reversão das expectativas, tanto em relação à inflação quanto ao PIB. Afastar o mercado e tentar constranger quem pensa diferente tende a empobrecer o feedback e dificultar a formação de consensos.

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