A moral da história do caso brasileiro é que o risco não compensa

Escola de Negócios

Coluna do Valor Investe

No artigo do Valor Investe de hoje falo sobre a ausência de incentivos para se tomar risco no Brasil. O risco não compensa.

Investimento de longo prazo e inovação são sinônimos de risco e essenciais para viabilizar o crescimento econômico. Na falta de incentivos…. isso explica em boa parte os pífios 0,2% de crescimento médio do PIB nos últimos 10 anos.

Segue um recorte.

A teoria de investimentos se assenta sobre alguns pilares e, entre eles, a ideia de que o risco é uma quantificação da incerteza e que o investidor deve ser recompensado por sua disposição em assumi-lo é central. Para tanto, alternativas mais arriscadas devem embutir expectativas de retorno mais elevadas.

É uma teoria com uma lógica, uma estética, muito bonita. Se o futuro é incerto, por óbvio, quanto mais incerto maior deverá ser a expectativa de recompensa ou o retorno exigido no ato do investimento. Assim é possível se definir a rentabilidade de qualquer ativo como uma função ascendente em relação ao risco.

No caso do binômio risco-retorno, o Brasil, como diria Tom Jobim, não é para principiantes.

O Brasil não é os Estados Unidos, berço da moderna teoria de finanças. Não é fácil explicar para os alunos que o risco compensa em um país que vive há anos com taxas de juros elevadas.

A comparação entre os rendimentos do Ibovespa e do CDI no longo prazo é francamente favorável a este último. Considerando o período entre janeiro de 2000 e julho último, o rendimento da Bolsa foi de 503% contra 1.189% do CDI. Ou seja, a taxa de juros de curto prazo rendeu em vinte e dois anos mais do que o dobro da Bolsa, nossa referência para ativos de risco.

Isso poderia ocorrer por conta de uns poucos períodos atípicos em que a Bolsa foi muito mal ou os juros tenham sido elevados à estratosfera. Para verificar esta situação foram calculados rendimentos acumulados para períodos de dez anos para todos os meses desde janeiro de 2010, o resultado indica que o CDI superou o Ibovespa em 114 dos 151 meses da amostra, ¾ das observações.

Quando se incorpora a dimensão do risco a situação fica ainda pior. O desvio padrão mensal anualizado do Ibovespa é de 24,4% contra 1,4% do CDI.

A moral da história do caso brasileiro é que o risco não compensa.

 

A pergunta que surge é: para que correr risco neste país?

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